Tive o grande privilégio de trabalhar ao seu lado durante uma década e meia. Ele me ensinou e inspirou muito. Isso traz a mim e a toda equipe da BF a grande responsabilidade de dar continuidade a esse lindo trabalho.

Segue a entrevista da Ivone Silva na sua nova posição como diretora executiva da Beija-Flor com o diretor de marketing da CARF, Peter Munck.

Você trabalha há 15 anos na Beija-Flor. Conte um pouco sobre a sua experiência na entidade.

Cheguei na BF numa fase em que a Beija Flor estava passando por uma reorientação de seu modelo de atuação. Antes a entidade operava numa forma mais tradicional usando profissionais da área técnica-social. A mudança, implementada pelo Gregory naquela ocasião, consistia em colocar jovens oriundos da comunidade local como responsáveis pela execução do trabalho pedagógico. Um dos principais objetivos era tornar essas lideranças juvenis em referencias positivas para crianças e adolescentes nos bairros onde atuamos.

Com os passar do tempo fomos desenvolvendo e aprimorando a forma de trabalho. Essa metodologia foi um sucesso, tanto que conseguimos mais recursos da Noruega, possibilitando ampliar o numero de atendidos diretos de 600 para mais de 2.000. No mesmo período expandimos o numero de unidades de uma para quatro, cada uma com seu conjunto especifico de atividades socioeducativas. 

Como você enxerga o papel da entidade na comunidade local de Diadema?

Antes de responder a pergunta, precisamos conhecer o contexto no qual nos inserimos . Diadema era até alguns anos atrás era uma das cidades mais violentas do pais. Estava nos topos dos rankings de vários índices negativos, tais como violência, consumo de drogas, baixo nível de escolaridade, etc. Havia na cidade áreas sem infraestrutura como saneamento básico, energia elétrica, ruas e estradas de terra e, mais importante, moradias muito precárias e inseguras.  

 

Apesar das melhorias nos últimos 15 anos, Diadema continua com seríssimos problemas socioeconômicos comparados aos outros municípios vizinhos. Ademais, BF está inserida na região mais carente da cidade. Mais da metade da população infanto-juvenil está concentrada no entorno dos nossos núcleos.  Todo isso gera enormes demandas sociais.

 

O papel da BF é promover transformações que estimulem nos nossos jovens a percepção da existência de alternativas à sua realidade, os fazendo romper certos ciclos negativos comportamentais. Através da participação nos programas e atividades artísticos, culturais e esportivos nós os encorajamos a construir um modelo mental mais estruturado, reflexivo, e proativo, mudando assim a sua visão do mundo, e consequentemente  melhor enxergar  as oportunidades abertas a eles. 

O próximo passo é ajudá-los a identificar os caminhos necessários para alcançar suas ambições e sonhos. O escopo do nosso trabalho engloba atuar nessa ultima e importante fase de desenvolvimento dos jovens. 

Haverá mudanças na Beija-Flor?

 

Vamos fazer algumas mudanças, mas eu prefiro caracterizá-las como melhorias ou extensão de alguns projetos já existentes. Será como passar para uma segunda etapa do trabalho, a fase II de um projeto mais amplo. Isso é reflexo do amadurecimento da equipe a partir de um acúmulo de 25 anos de ações sociais bem sucedidas e muita experiência adquirida. Essas mudanças acompanham as novas demandas do público que atendemos. Como já mencionei, estou me referindo a apoiar os nossos jovens em conseguir uma colocação no mercado em áreas que ofereçam potencial de desenvolvimento e ascensão profissional. Conseguir isso não é fácil considerando que ainda existe uma certa resistência no mercado de trabalho em oferecer oportunidades de emprego para jovens oriundos de camadas carentes da sociedade, a periferia. 

 

Então pretendemos trabalhar na criação de uma rede de parceiros, empresas e outras instituições sociais, que possam receber esses jovens dentro de programas que os contratem em regime de aprendizagem.  Já temos algumas boas experiências com isso e desejamos ampliar como uma nova frente de desenvolvimento institucional da Beija-Flor. 

 

Outra frente de trabalho é melhorar a performance da organização e da equipe através de treinamentos e cursos com o objetivo de aumentar a qualificação profissional, investir mais em políticas motivacionais, e desenvolver planos de carreiras.  

 


Quais os desafios para o futuro da BF?

Estamos no momento investindo em um processo que chamamos de imersão técnica gerencial na organização, avaliando minuciosamente todos os setores, processos e resultados. Isso vai desencadear um plano que será executado em etapas. Ao mesmo tempo, a organização também sofre com os efeitos de um longo período de recessão e tem que buscar, em conjunto com a CARF, meios de aumentar suas receitas.  

Ivone Silva e Einar Kongsbakk (Presidente do CARF)
Ivone Silva e Einar Kongsbakk (Presidente do CARF)

Relaçao com a CARF muda?         

Nós da RCBF queremos intensificar a colaboração com a CARF em relação a diversas áreas tais como marketing, planejamento estratégico, etc. Em outras palavras, nosso objetivo é identificar e ampliar as sinergias entre a CARF e RCBF.   

Voce tem algumas considerações finais?

Sim, tenho. Primeiramente gostaria de expressar os meus sinceros agradecimentos ao Gregory John Smith. Se não fosso por sua genialidade e altruísmo, dedicando sua vida a ajudar crianças e jovens carentes, não existiria nem a CARF, muito menos a RCBF. Tive o grande privilégio de trabalhar ao seu lado durante uma década e meia. Ele me ensinou e inspirou muito. Isso traz a mim e a toda equipe da BF a grande responsabilidade de dar continuidade a esse lindo trabalho. Vamos dar o melhor de nós para ter êxito nessa jornada de trazer esperança para as crianças e jovens carentes do Brasil. 

 

Fatos sobre Ivone Silva: 

 

Com 38 anos e natural da cidade de Arcoverde no sertão pernambucano, professora de ensino infantil  e formada em letras, Ivone também atuou como produtora cultural e pesquisadora de culturas tradicionais brasileiras nas áreas de manifestações folclóricas. Ela ingressou na Beija-Flor inicialmente como voluntária 15 anos atrás. Um ano depois, foi convidada pelo fundador da entidade, Gregory John Smith, a ser a primeira coordenadora das atividades culturais, artísticas e esportivas.  Em 09 de novembro a Ivone foi promovida a Diretor Executiva da Beija-Flor.

Parabenizamos e desejamos boa sorte.

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